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Nos Cruzeiros Marítimos, o respeito ao meio ambiente – por Ricardo Amaral

O recente episódio do surgimento de manchas na orla de Búzios trouxe mais algumas lições para o setor de Cruzeiros Marítimos. Apesar de sua importante contribuição para a indústria do turismo brasileiro, esta atividade às vezes ainda é discriminada ou alvo de preconceitos, como se constatou durante esse evento, em que autoridades locais, de maneira abrupta, apontaram o dedo indicador para dois navios de Cruzeiro ancorados ali como causadores do dano ambiental.

Sem os laudos das amostras da água recolhida, sem ao menos o cuidado de atentar para a possibilidade de outras causas, uma das autoridades sobrevoou os navios, fotografou manchas à sua volta, concluiu por suspeição e entregou um fato consumado à Imprensa.

Um mínimo de bom senso afastaria de imediato qualquer suspeita. Um navio desse porte leva em média cinco anos para ser construído nos mais importantes estaleiros da Europa, continente que possui máximo rigor no trato com o meio ambiente.

A construção de um navio, portanto, leva em conta em primeiro lugar o excesso de zelo com a segurança e o meio ambiente, com toda a tecnologia à disposição. O esmero não se limita ao luxo dos Cruzeiros, mas a cada detalhe, desde sua concepção arquitetônica.

As embarcações navegam pelos mais importantes pontos turísticos do mundo e são submetidas às mais rigorosas leis de proteção ambiental – e não se tem notícia de qualquer dano ao meio ambiente, salvo em caso de acidentes, passíveis em qualquer atividade humana.

O tratamento de dejetos em um transatlântico, bem como seu descarte, se sujeita também às normas internacionais, com toda a segurança.

Os navios seguem as orientações da Convenção MARPOL (Convenção Internacional para a Prevenção da Poluição por Navios), pelas quais os resíduos gerados a bordo dos navios são manipulados por meio de processos e tecnologias que permitem a coleta, o armazenamento e o posterior descarte em terra de maneira apropriada.

O esgoto e os resíduos são coletados e processados por meio de um sistema avançado de Purificação Biológica e Sanitária de Água e Resíduos, que ocorre por aplicação intensa de luz ultravioleta, e o efluente tratado é mantido em tanques.

Tais procedimentos são rigorosamente controlados pela ANVISA.

Além disso, todos os navios possuem sistemas complexos de tratamento de água, descarte e reciclagem de lixo, tratamento de efluentes, segurança ambiental, além de sistemas eficazes de controle alimentar e certificações que atestam sua alta qualidade.

A indústria dos Cruzeiros Marítimos brasileiros opera hoje com 732 mil passageiros/ano e ocupa a sétima posição num mercado mundial de 20 milhões de passageiros. Nos navios que operam na costa brasileira em cabotagem suas tripulações são compostas de mais de 25% de brasileiros.  Trata-se de um número expressivo: só nesta temporada foram contratados mais de 2.500 tripulantes no País. Somados aos empregos gerados em escritórios, agências de viagem, receptivos e nas cidades em que os navios fazem escala, este número é quadruplicado.

Búzios, desde o inicio do ciclo dos cruzeiros marítimos no Brasil, é um dos principais portos turísticos nacionais e, em algumas temporadas, com mais escalas do que o Rio de Janeiro. Os benefícios para a cidade são imensos: uma média de 300 mil turistas novos, todos os anos, passam a conhecê-la. 

Desses, muitos são atraídos pela hospitalidade e beleza de suas praias e costumam retornar em outros meios de transporte para manter aquele ponto turístico em evidência e ajudar a impulsionar sua economia. Ou seja, podem se tornar turistas permanentes. Permanente também é a contribuição para a indústria do turismo brasileiro, quando os navios cruzam nossos mares, convidando os turistas estrangeiros a permanecer ou a voltar ao País.

Diante de todo esse quadro, e do extremo cuidado como as questões ambientais são tratados pela indústria de Cruzeiros Marítimos em todo o mundo, não podemos aceitar suspeições caluniosas como as que têm sido formuladas em Búzios.

 

 

* Ricardo Amaral é presidente da CLIA Abremar Brasil – Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos

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